3.
Por
sobre o domo erguia-se, dessa forma, pouco a pouco, uma rede de faróis que
irradiava da Cidade de Vidro, nas praias do fim do mundo. Com o passar do
tempo, as filhas do Jaguar, que se tornaram depois as Pequenas Deusas da Morte,
desenvolveram sua navegação e sua arquitetura, de forma que hoje, ao olharmos
para cima no céu noturno, ele está todo salpicado de seus faróis. Naqueles
tempos, porém, do início do mundo, as estrelas iam se acendendo pouco a pouco.
Uancámina
tinha o que precisava: com a desculpa de testar o brilho e o alcance dos novos
faróis que suas irmãs erguiam, levava sua frota de barcos de vidro a pontos
cada vez mais distantes da Cidade de sua mãe, o Jaguar. Conforme se aproximava
da Ilha brilhante, porém, se tornava mais poderosa a luz que irradiava dela, e
as estrelas só ficavam visíveis durante o que chamaram de noite, que era quando
as ondas do Mar de Nada escondiam o brilho da Ilha atrás de si. Uancámina teve
que inventar assim de se orientar pelo brilho e movimento da Ilha durante o
dia, e pelo brilho e posição dos faróis de suas irmãs apenas durante a noite.
Logo
mais e mais das filhas do Jaguar estavam empolgadas pela empreitada. A fera
divina viu, assim, sua Cidade de Vidro cada vez mais esvaziada; as filhas que
não queriam passar o tempo todo no Mar de Nada, manobrando seus barcos de
vidro, ficavam por sobre o domo, andando de um lado para o outro construindo
estrelas para suas irmãs se guiarem lá de baixo. O Jaguar era uma mãe paciente,
e não queria impor nova interdição a suas filhas, mas Incálima, a Senhora da
Cidade de Vidro, não iria tolerar o sofrimento de sua mãe em silêncio – mesmo
que ela também ansiasse por saltar num barco de vidro e navegar até o centro
brilhante do Mar de Nada. Assim, às irmãs que retornavam à Cidade de Vidro para
abastecer-se de mantimentos para continuar navegando pela noite ou construindo estrelas,
Incálima impunha diversas tarefas e trabalhos que as prendiam à Cidade de
Vidro. A umas ordenava que desmanchassem uma torre de vidro, a outras que
reerguessem a mesma torre, no mesmo lugar, agora dois andares mais alta; e
pouco a pouco a Cidade de Vidro voltou a se encher de atividade, e da voz das
Pequenas Deusas, todas agora muito exaustas e cheias de trabalhos circulares
para que pudessem se preocupar em sair por aí cintilando o céu ou costurando o
mar.
Por
esta época, Uancámina comandava sua expedição mais ousada até então: da última
vez que estivera na Cidade de Vidro pudera conversar com algumas das suas irmãs
que trabalhavam nos faróis por sobre o domo. Com a ajuda das imensas lentes de
vidro que inventaram, elas eram capazes de enxergar as coisas que havia abaixo,
flutuando no Mar de Nada. E uma das coisas que observaram era essa: que ilhas
gêmeas giravam lentamente pelo Mar, flutuando cada vez mais para perto da
Cidade de Vidro. Se fosse equipada com mantimentos suficientes, e se soubesse
se orientar pelos ângulos certos em relação aos faróis que brilhavam à direita
da Cidade de Vidro, Uancámina seria então capaz de alcançar essas imensas
ilhas, e pela primeira vez pisar em algo que não fosse o vidro de um barco, o
vazio de um domo impossível, ou a areia prateada das praias do fim do mundo.
Enquanto
Incálima ordenava o desmanche e a reconstrução de torres e pavimentos,
Uancámina se aproximava, embalada por uma brisa solar suave, das praias da
maior das duas ilhas gêmeas. O ancoradouro que encontrou, na verdade, foi uma
pequena enseada no canal de Nada que separava as duas ilhas. Era uma ilha
estranha, de cor crepuscular, e tudo parecia feito de pedra. O primeiro barco que
se encostou à praia de cascalhos ficou cheio de rachaduras, e Uancámina
sinalizou para que as outras naves, que vinham atrás, permanecessem afastadas.
Quando
pisou o chão daquela praia, era tudo mais duro. O ar da ilha era mais pesado, e
Uancámina se dava conta de cada pedra em que seus pés feitos de sombra tocavam.
Não se feria, mas as sensações pareciam fortes demais para seus sentidos
acostumados ao Nada de que era feito o Mar, as estrelas e a Cidade de Vidro.
Suas irmãs diziam: venha, irmã. Volte ao barco, e vamos voltar ao Mar, que é
mais agradável que essa ilha de pedras duras e cores opacas.
Não,
ela respondeu. Se vamos navegar até a Ilha Brilhante, no centro do Mar de Nada,
será preciso construir outras cidades de vidro e outros portos para nos refazermos
ao longo do caminho. Não podemos saber se serão agradáveis como as praias de
que viemos, ou se serão duras como estas, ou ainda piores. Preciso aprender a
existir entre as pedras. Fiquem no barco, sim, e afastem-no da praia para que
não se rache mais nestes seixos. Mas me deixem aqui pela noite. Vejam o
horizonte: a Ilha Brilhante desaparece agora por detrás das ondas do Mar de
Nada. Quando ela surgir novamente pela manhã, venham me buscar.
Suas
irmãs queriam protestar, mas sabiam que era inútil tentar convencer Uancámina
quando já estava decidida de alguma coisa. Assim, afastaram-se à procura de um
ponto da enseada onde a maré permitiria que seus barcos de vidro ficassem
estacionados. Ao longe, podiam apenas ouvir um grito vindo de sua irmã. Uancámina
se havia deitado sobre os rochedos, para acostumar o corpo à sensação da
dureza. Depois do primeiro grito, controlara a voz, para não espantar as irmãs,
mas a sensação ainda era opressiva. As pedras, como a realidade de que eram
feita, faziam se sentir avassaladoramente pelos músculos, pele e tendões de
Nada de Uancámina. Mesmo seus longos cabelos não eram barreira suficiente para
aliviar a sensação nas costas e na nuca. Mas ela estava determinada a resistir:
olhava fixamente para o céu, na esperança de ver rebrilharem os faróis de suas
irmãs. Estaria alguma delas olhando agora, através de suas lentes imensas, para
baixo, para as ilhas gêmeas? Seriam capazes de perceber a angústia no rosto de
Uancámina? As gotas de suor que brotavam em sua testa e suas mãos?
Mas
Uancámina não sentia sobre si os olhos de suas irmãs, nem vindos das estrelas
nem dos barcos no meio da enseada. A verdade é que provavelmente muitas das
Pequenas Deusas velavam por sua irmã naquele momento, tentando decifrar o que
acontecia na praia escurecida pela noite; no entanto é difícil não se sentir
sozinha quando as costas aprendem a sentir pela primeira vez o áspero de um
chão de pedras, ou a pressa de um vento gelado.
Pouco
a pouco, porém, Uancálima já não sentia a aspereza. Ela tentava não se mexer –
talvez não fosse mesmo capaz, tão exaustos estavam seus sentidos – mas reparava
a mudança na posição das estrelas sobre sua cabeça, conforme as ilhas giravam
vagarosamente pelo Mar de Nada. Da forma como estavam dispostas, sabia que
agora a Cidade de Vidro estava posicionada na direção para que seus pés
apontavam, e essa sabedoria lhe trazia algum consolo. Sim. Não se deu conta de
quando isso aconteceu, mas percebeu, quando a luz da Ilha Brilhante no meio do
Mar de Nada atravessou suas pálpebras na manhã seguinte, que havia mesmo
adormecido.
Apoiou
o braço no chão para se levantar, e constatou que a sensação das pedras
continuava terrível. Não é que suas costas se tivessem acostumado à sensação de
dureza durante noite, mas uma cama de um musgo escuro e macio havia crescido por
sob seu corpo sem que percebesse. Frustrada, Uancámina se pôs de pé, pisando
ainda sobre o musgo – muito mais tolerável que os pedregulhos. Quando olhou em
volta para se orientar, e para procurar o brilho dos barcos de vidro na
enseada, percebeu a presença de ainda outra cama de musgo na praia, e sobre ela
uma pessoa adormecida. Aproximou-se, se esforçando para não se deixar abater
pelo duro das pedras nos pés, e pelo vento que ficava mais forte descendo das
colinas pedregosas além da praia. Percebeu, com espanto, que não se tratava de
uma de suas irmãs – era a primeira vez que encontrava em suas viagens não a
vaga forma de uma criatura misteriosa no meio das ondas, mas um ser de
constituição tão próxima da sua. Era impensável para ela, até agora, que
houvesse no meio do Mar de Nada criaturas tão parecidas com suas irmãs, que não
fossem elas mesmas também filhas do Jaguar.
Desperte,
ela pediu.
A
criatura abriu os olhos. Mas Uancálima não sabia se ela a havia compreendido.
Você
insiste tanto assim que eu não durma?, a criatura respondeu, coçando sua barba,
tirando seu cabelo desgrenhado do rosto. Na noite de ontem, seu grito terrível
me despertou de um sono agradável, que já durava tantos dias! E depois ainda
não parava de tremer, e respirar com o barulho de uma ventania. Se eu não
tivesse te dado uma cama, estaria até agora fazendo uma algazarra no meio das
pedras! Se eu te ajudei a dormir seu sono, por que você não me deixa dormir o
meu?
Como
você aprendeu a falar? Você já conheceu minha mãe, o Jaguar? Ele me ensinou a
falar, mas não sabia que havia ensinado mais ninguém – mesmo que suas palavras
soem um pouco estranhas.
Eu não
sei nada sobre nenhum Jaguar! Ou talvez... talvez eu me lembre... Mas não é uma
lembrança minha, e sim de alguma coisa que eu era antes, ou de que eu era só um
pedaço. Só sei que despertei sabendo falar essa língua, e que uso ela quando
meu irmão vem me incomodar em meu sono. E agora tenho que usá-la com outros visitantes
também, pelo visto! Como se meu irmão já não me bastasse. Você também veio me
pedir para navegar o mar escuro contigo? Se Qüenita, que é meu irmão, não me
tirou meu amor pelo sono e pelos sonhos, não é você quem vai tirar.
Mas
Aidaque, o deus sonolento, estava errado; pois desde que viu pela primeira vez
Uancámina deitada por sobre os seixos, ou antes, desde que ouviu seu grito
cortando a noite, estava condenado a não dormir nunca mais pacificamente como
antes. Era o tempo em que os deuses iam despertando em suas ilhas; alguns por
influência das Pequenas Deusas da Morte e de suas estrelas, alguns por causa do
brilho da Ilha no centro do Mar de Nada, alguns só não conseguiam achar mais
uma posição confortável para se deitar – uma maldição que transmitiram depois a
muitos mortais.
Não,
respondeu Uancámina. Não estou aqui para te despertar, nem para te levar.
Preciso apenas de um porto para meus navios descansarem durante a travessia do
Mar de Nada, que você chama de mar escuro. Mas suas praias são muito duras,
todo o seu mundo é duro e real, até o ar. Não sei se vou sequer conseguir
construir meu porto aqui, mas se eu conseguir será na ilha pequena, então, para
não incomodar seu sono.
Não!,
redarguiu Aidaque. Você não precisa de um porto nem de navios! E minha ilha
posso fazê-la mais agradável para você, se quiser.
Com um
gesto lento de seu braço, Aidaque fez brotar um tapete do musgo escuro por
sobre as pedras, para proteger os pés de Uancálima de pisar em tanta dureza.
Ela sorriu em agradecimento.
Você é
gentil, estranho da ilha. Mas na Cidade de minha mãe, o Jaguar, é tudo feito do
cristal mais delicado e irreal, e a areia que cobre o chão dos caminhos é
insólita como os pensamentos. Todas as construções são feitas cuidadosamente,
para abrigar a população imensa de filhas que minha mãe, o Jaguar, gerou. Se
fosse conforto e companhia aquilo que busco, eu não teria precisado lançar meus
barcos de vidro ao Mar imenso de Nada que nos cerca.
Uancámina
virou as costas para Aidaque, então, e se voltou para o Mar, de onde chegava à
praia um barco como ela nunca tinha visto. Era uma canoa, menor que os barcos
de vidro que ela e suas irmãs faziam, mas escura, quase tanto quanto o mar,
feita de madeira. Duas das Pequenas Deusas que acompanhavam Uancámina em sua
viagem, Órina e Audólima, vinham sentadas sobre ela, visivelmente
desconfortáveis. Na popa, manejando um grande remo, vinha o outro deus das
ilhas gêmeas, Qüenita.
Ele
era mais magro que seu irmão, mais franzino, mas ao mesmo tempo mais energético.
Ao invés de Aidaque, Qüenita se apressara ao despertar dos deuses, tendo se
enamorado do brilho da Ilha do centro do Mar de Nada desde que ele surgira pela
primeira vez no horizonte. Como o irmão, aprendera a cultivar sua ilha; mas ao
invés de criar tapetes e camas confortáveis para si mesmo, inventou árvores de
que pudesse construir uma canoa, para atravessar o mar. Em suas tentativas
infrutíferas de enfrentar a corrente com sua pequena embarcação, mais de uma
vez encalhara na ilha de seu irmão gêmeo, cuja companhia sempre solicitava em
vão. Aidaque ainda sentia o sono dos deuses, e não ia desperdiçá-lo em um
projeto que parecia inútil, por bonito que fosse o brilho distante da Ilha solar.
Naquela
manhã, porém, preparando-se para seus exercícios diários de navegação ao redor
das ilhas, Qüenita percebera incrédulo o faiscar dos barcos de vidro no canal
entre a sua ilha e a do irmão. Aproximara-se cauteloso daquelas formas
elegantes, tão maiores que sua pequena canoa, mas também tão mais frágeis –
como percebera pelas rachaduras em um dos barcos.
As
Pequenas Deusas da Morte, que naquele momento perguntavam-se como fariam para
ir buscar sua irmã Uancámina sem causar mais estragos em seu navio, ficaram
igualmente espantadas ao ver o deus aproximando-se por sobre o mar. Deixaram-no
subir a bordo de suas embarcações, porém, passado o espanto. Ele ansiava por
saber de sua viagem, e queria saber quão longe tinham conseguido viajar pelo
Mar, e como funcionavam suas velas, e como faziam para se orientar em seus
caminhos. Audólima, porém, preocupada que estava com sua irmã sozinha na praia,
concordou em lhe contar tudo o que pedisse, desde que antes ele as levasse para
encontrar Uancámina.
Assim
ele as transportou até a praia. Ao chegar lá, como prometido, as Pequenas
Deusas contaram a ele e seu irmão sobre suas viagens, sobre o Mar, e sobre os
faróis que haviam construído por sobre o Domo, as estrelas, que as guiavam de
volta para a Cidade de Vidro. Qüenita suplicou que elas as levassem com ele, para
que pudesse ele também conhecer o Mar aberto e a Cidade de Vidro. Aidaque
suplicou a Uancámina que ficasse, pois ele prepararia para ela uma cidade como
a de sua mãe, o Jaguar, onde ela poderia ter seu porto e descansar de suas
viagens. Mas Uancámina só soube dizer, novamente, que ele era um estranho
gentil.
Um
estranho não! Aidaque é meu nome. Você dormiu na minha ilha, na cama que fiz
brotar para você, então já não somos estranhos.
E é
por isso que as Pequenas Deusas da Morte chamam as ilhas gêmeas de Airunê
Ualuta, as Ilhas do Sono.
Aidaque
permaneceu em sua ilha, mas Qüenita, ao transportar de volta as irmãs para seus
barcos de vidro, conseguiu convencer Uancámina a levá-lo com elas para a Cidade
de Vidro, onde ela esperava juntar mais de suas irmãs e material suficiente
para construir seu porto nas Ilhas do Sono. A seu irmão Aidaque, Qüenita
prometeu que estaria de volta quando a terceira estrela mais brilhante – ainda
haviam poucas nessa época, era fácil fazer esse tipo de contagem – estivesse
aparecendo no meio da noite por sobre o cume em que Aidaque tinha sua caverna
favorita. Aidaque disse que não se apressasse, que ia ser bom poder ficar
sozinho para dormir seus sonos divinos.
Ele
permaneceu em sua ilha, a maior das Ilhas do Sono, mas seu sono já não vinha
como antes. Por mais que fizesse brotar musgos delicados e frescos, e erguesse
cavernas para se esconder do brilho solar da Ilha no meio do Mar de Nada, não
conseguia mais que dormir algumas horas durante a noite, quando já estava
escuro. Sentia saudades de seu irmão, e gostaria tanto que ele atracasse
afobado sua canoa nos cascalhos, como fizera tantas vezes antes. E sentia
saudades de Uancámina, e ansiava novamente por sua companhia, tão breve, mas
tão delicada.
Precisava
erguer para ela uma cidade, para que ela pudesse ficar mais tempo com ele
quando voltasse. Mas Aidaque só sabia construir leitos e cavernas. Não sabia
nada sobre o que fazia uma cidade, além de ser cheia de pessoas e prédios, conforme
relatara Uancámina. Farei primeiro as pessoas, resolveu Aidaque, e elas depois
hão de me ajudar a construir os prédios da forma certa.
Assim,
o deus esculpiu das pedras de sua Ilha os primeiros mortais – ainda que a morte
não houvesse ainda sido inventada. Ele não era um escultor muito habilidoso nem
muito criativo, mas evocava em sua mente a imagem de Uancámina, Qüenita, e
mesmo de Audólima e Órina, para inventar as formas de suas criaturas. Assim que
uma ficava com os olhos fundos de seu irmão, mas as orelhas de Órina; ou com a
estatura de Uancámina, mas o porte largo e forte de Audólima. Uma a uma
esculpia, modelava e polia a pedra, e quando teve um número que considerou
suficiente de criaturas à sua disposição, esperou o raiar da Ilha Brilhante para
despertá-las, para que elas também sentissem vontade de acordar com seu brilho
solar pela manhã.
Antes
que pudesse fazê-las construir a cidade que queria para Uancámina, percebeu que
teria que alimentá-las, e protegê-las do frio, e ensiná-las a falar. A elas não
bastava o musgo, e ele teve que inventar plantas maiores, como as da ilha de
seu irmão, e animais pequenos e grandes para polinizá-las, ou para servir de
alimento a seus novos companheiros. Não foram muitas as coisas que Aidaque
inventou para habitar sua Ilha, pois ela não era grande como outras que havia
espalhadas pelo imenso Mar de Nada. Mas foi o suficiente para que as criaturas
que havia esculpido pudessem comer e se alimentar, e breve construir uma cidade
para Uancámina.
Agora,
porém, o prazer de Aidaque não residia mais na cidade que viria, e na companhia
futura de Uancámina. Ele se alegrava em compartilhar sua existência com os
mortais, ensinar e aprender palavras novas com eles, e mal percebeu quando o
prazo para o retorno de Uancámina e Qüenita se aproximou, chegou e passou. A
terceira estrela mais brilhante já piscava por sobre as suaves colinas da ilha
de seu irmão quando ele finalmente começou a se preocupar.
Mas
Qüenita era agora prisioneiro de Incálima na Cidade de Vidro, e Uancámina e
suas irmãs estavam impedidas de lançar seus navios de vidro ao Mar de Nada
novamente.