tem um Elefante na palma da minha mão
não é uma metáfora, ou uma experiência artística, ou um jogo de palavras,
não
literalmente, na palma da minha mão, tem um Elefante.
ele é orgulhoso, e algo cheio de si, como acaba acontecendo com os elefantes que saem muito cedo de casa, e é por isso que tenho que tratá-lo de Elefante, não de elefante.
fora isso, não há qualquer motivo para as maiúsculas.
as maiúsculas, todos temos que concordar com isso uma hora ou outra, são desperdiçadas na maior parte do tempo;
(e a pontuação)
mas eu sou, talvez, uma pessoa bem menos revolucionária do que gostaria, pelo que a maioria das minhas frases acaba, intimidada pelo olhar duro das sábias da gramática, cheia de vírgulas e pontos e parênteses e letras maiúsculas;
mas estou hoje inspirada pelo Elefante, este sim um verdadeiro revolucionário, e transgrido. minhas frases começam sem maiúscula, e todo este parágrafo - estrofe? - que não passa de um grânde parêntese, está sem parênteses para marcá-lo.
o Elefante acredita, e eu concordo com ele, que grânde deveria ser acentuada, e tú.
tú acentuada é muito mais bonita.
grânde acentuada tem outra grandêsa.
tenho um Elefante gramático e revolucionário em minha mão, e uma selva por todo meu corpo.
nas pontas dos meus dedos, caçoando do Elefante por sua empáfia, tem cinco jabutis. nenhum deles sabe o que empáfia significa, mas adoram a palavra, e acreditam que descreve perfeitamente o Elefante (ou, como eles gostam de dizer, "O Elefante").
no meu joelho direito tem uma cobra coral, que se enrosca em dias de frio com tanta força que me dói às vezes. ela também se enrosca quando está com saudades do Elefante, porque sabe que eu levo minhas mãos ao joelho quando ele dói. ela é ligeiramente apaixonada pelo Elefante, um amor que ela disputa com o tigre que tem no joelho esquerdo;
o tigre, porém, só sabe machucar com arranhões, que são muito menos eficazes do que enroscos. quando está com saudades de seu amado Elefante, o tigre cutuca meu joelho esquerdo com sua garra, até que ele fique pinicando e eu tenha que baixar minhas mãos para coçá-lo. ele nem sempre faz isso, porém, só quando está com muita saudade, porque os jabutis que tem nos meus dedos gostam de mordiscar suas orelhas e bagunçar seu pêlo, e o tigre que tem no meu joelho é todo muito vaidoso. é um paradoxo terrível, pensa o tigre, que ele só consiga encontrar o Elefante que tanto o apaixona apenas quando seus pêlos estão bagunçados e quando não consegue conversar direito, porque tem um jabuti em sua orelha.
sempre que isso acontece, o tigre tenta puxar um papo com a mariposa que tem em minha canela, sua grande confissora.
não consegui falar com meu amor hoje...
por quê?
eu tinha um jabuti na minha orelha...
isso é uma metáfora, ou uma experiência artística, ou um jogo de palavras?
não, literalmente, mordiscando minhas orelhas, tinha um jabuti.
a mariposa dá de asas, suspira, e se prepara para uma conversa que ela sabe que vai ser confusa.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Oração das Almas
Pra dona Glaucia, que me ensinou a ter menos vergonha delas
As almas guardam um silêncio todo digno, todo específico, nos cemitérios.
Não é como seu silêncio no dia a dia, quando elas vão nos visitar em nossas casas e lá ficam, tímidas, observando o que fazemos discreta e educadamente, talvez para compensarem o fato de nos estarem bisbilhotando a vida. São poucas as pessoas que se sentem confortáveis quando há almas as observando cozinhar, lavar-se, varrer o chão, amar. Tememos, talvez, o peso do julgamento - o silêncio das almas que nos visitam, por educado que seja, carrega em si algo de julgamento, como quem diz "No meu tempo, fazíamos diferente" ou "No Reino de Deus, não precisamos desse tipo de coisa".
Mas não é assim nos cemitérios. Nos cemitérios, elas se sentam sobre as lápides, e nos miram com os olhos desbotados dos anjos de pedra e das fotografias pregadas nos túmulos (não com os olhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, porém, que nos cemitérios estão quase que sempre fechados). Elas se sentam em suas lápides, silenciosamente, e simplesmente indicam sua alegria pela nossa visita através das flores murchas e dos vasos quebrados, através dos gatos velhos e dos pássaros que voam entre as pedras.
Ou talvez eu esteja errado;
Talvez mesmo aí, em seu silêncio gentil e hospitaleiro, haja um quê de julgamento, como se nos dissessem, viu?, é fácil receber bem - sempre que visitamos, você insiste em prosseguir cozinhando, lavando-se, varrendo o chão, amando; quando basta que você se sente sobre sua lápide e demonstre sua alegria com nossa visita!
Talvez mesmo nos cemitérios, então, as almas nos julguem, de alguma forma. Mas não vou insistir nessa linha de raciocínio, ou meu texto pode ficar excessivamente metafísico.
As almas guardam um silêncio todo digno, todo específico, nos cemitérios.
Não é como seu silêncio no dia a dia, quando elas vão nos visitar em nossas casas e lá ficam, tímidas, observando o que fazemos discreta e educadamente, talvez para compensarem o fato de nos estarem bisbilhotando a vida. São poucas as pessoas que se sentem confortáveis quando há almas as observando cozinhar, lavar-se, varrer o chão, amar. Tememos, talvez, o peso do julgamento - o silêncio das almas que nos visitam, por educado que seja, carrega em si algo de julgamento, como quem diz "No meu tempo, fazíamos diferente" ou "No Reino de Deus, não precisamos desse tipo de coisa".
Mas não é assim nos cemitérios. Nos cemitérios, elas se sentam sobre as lápides, e nos miram com os olhos desbotados dos anjos de pedra e das fotografias pregadas nos túmulos (não com os olhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, porém, que nos cemitérios estão quase que sempre fechados). Elas se sentam em suas lápides, silenciosamente, e simplesmente indicam sua alegria pela nossa visita através das flores murchas e dos vasos quebrados, através dos gatos velhos e dos pássaros que voam entre as pedras.
Ou talvez eu esteja errado;
Talvez mesmo aí, em seu silêncio gentil e hospitaleiro, haja um quê de julgamento, como se nos dissessem, viu?, é fácil receber bem - sempre que visitamos, você insiste em prosseguir cozinhando, lavando-se, varrendo o chão, amando; quando basta que você se sente sobre sua lápide e demonstre sua alegria com nossa visita!
Talvez mesmo nos cemitérios, então, as almas nos julguem, de alguma forma. Mas não vou insistir nessa linha de raciocínio, ou meu texto pode ficar excessivamente metafísico.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Maçãs que comi
Ontem comi duas maçãs
seguidas
Quem é que faz isso?
Maçã se come por unidade
E eu?
comi o dobro!
seguidas
Quem é que faz isso?
Maçã se come por unidade
E eu?
comi o dobro!
domingo, 9 de agosto de 2015
Oração da Quaresma
Passar as mãos nos cabelos de D'us
Abraçar D'us
Fazer carinho no rosto de D'us
Elogiar Seu sorriso
Chamar D'us pra tomar uma cerveja
Tomar guaraná com D'us, que está guardando a quaresma
Tocar violão com D'us
Perceber que D'us, apesar da voz maravilhosa, volta e meia erra o tempo, principalmente quando tenta tocar samba.
Ficar amigo de D'us, mas muito camarada mesmo.
Querer bem a D'us, ser por ele querido
Saber da morte de D'us, sofrer com a morte de D'us,
Chorar, inconsolavelmente.
Ir ao enterro de D'us,
Chorar, inconsolavelmente.
Três dias depois, um bilhete:
"Já melhorei. Vamos tomar aquela cerveja?"
Abraçar D'us
Fazer carinho no rosto de D'us
Elogiar Seu sorriso
Chamar D'us pra tomar uma cerveja
Tomar guaraná com D'us, que está guardando a quaresma
Tocar violão com D'us
Perceber que D'us, apesar da voz maravilhosa, volta e meia erra o tempo, principalmente quando tenta tocar samba.
Ficar amigo de D'us, mas muito camarada mesmo.
Querer bem a D'us, ser por ele querido
Saber da morte de D'us, sofrer com a morte de D'us,
Chorar, inconsolavelmente.
Ir ao enterro de D'us,
Chorar, inconsolavelmente.
Três dias depois, um bilhete:
"Já melhorei. Vamos tomar aquela cerveja?"
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Paraparábola
Conta-se que, após uma noite de tempestade, um velho sábio caminhava pela praia. Milhares de estrelas do mar estavam espalhadas sobre a areia, a vida se esvaindo conforme o sol subia.
Uma garotinha corria da praia para o mar, carregando as estrelas moribundas e atirando-as de volta à água. Sentindo que daí extrairia alguma sorte de sabedoria, o velho aproximou-se da menina e lhe perguntou:
- São centenas, milhares de estrelas morrendo nessa praia, e há milhões dessas estrelas no oceano. Não faz diferença alguma que você consiga resgatar algumas dúzias, então, por que você as está ajudando?
Ao que a garotinha, olhos cansados e cabelo coberto de suor e areia, respondeu:
- Eu perdi uma aposta.
Uma garotinha corria da praia para o mar, carregando as estrelas moribundas e atirando-as de volta à água. Sentindo que daí extrairia alguma sorte de sabedoria, o velho aproximou-se da menina e lhe perguntou:
- São centenas, milhares de estrelas morrendo nessa praia, e há milhões dessas estrelas no oceano. Não faz diferença alguma que você consiga resgatar algumas dúzias, então, por que você as está ajudando?
Ao que a garotinha, olhos cansados e cabelo coberto de suor e areia, respondeu:
- Eu perdi uma aposta.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Xangai
Sobe um vento mandarim
Rumo ao sol, sol de 上海
Não sou eu quem fica em mim,
Não sou quem de mim se vai
Mal sou sombra de nanquim,
Mal sou nuvem que esvai
Posso só ser eu, enfim
Ao seu lado, em 上海
Rumo ao sol, sol de 上海
Não sou eu quem fica em mim,
Não sou quem de mim se vai
Mal sou sombra de nanquim,
Mal sou nuvem que esvai
Posso só ser eu, enfim
Ao seu lado, em 上海
domingo, 24 de maio de 2015
Hoje no metrô
Hoje algo um tanto
diferente aconteceu. Encontrou Igor na estação Butantã, como quase toda
sexta-feira depois do trabalho de ambos, só que dessa vez acompanhado da irmã.
O Igor era um de seus melhores amigos: já se conheciam há alguns anos, já
haviam conversado de tudo e já tinham passado por umas poucas e boas juntos,
mas até hoje não tinha calhado de conhecer alguém da família dele. São todos do
interior e quase nunca vêm pra cá. E agora a irmã tinha vindo casualmente visitar
o irmão para o final de semana. Era muito parecida com ele de rosto, tinha
olhos pequenos e um grande sorriso, e também tinha assim como o Igor um jeitão
charmoso e uma voz forte. Mas mesmo assim, era bastante diferente dele de uma
forma peculiar: era especialmente bonita. Foi difícil acostumar-se com a
presença dela. Aquele encontro, tão rotineiro, familiar e casual hoje virou alguma
coisa totalmente estranha. Ela era realmente muito bonita. Teve que se
concentrar para manter a compostura e parecer normal – e fez isso com maestria,
diga-se de passagem – enquanto se perguntava de onde aquela criatura alienígena
e fascinante tinha aparecido, como foi de repente atrapalhar aquela zona de
conforto tão banal e como era cosmicamente conectada ao seu melhor amigo ao
mesmo tempo que sempre esteve tão longe? Foi um pouco perturbador. Se fosse
possível tirar uma foto espiritual daquela situação mais cedo no metrô estaria
boquiaberto e vidrado, cara a cara, sem piscar, vasculhando com atenção cada movimento
no canto de seu sorriso e cada movimento em torno de seus olhos – como uma criança
perdida na terra dos doces – e era isso de fato o que se segurava para não
fazer no mundo não espiritual. Dizia-se qual o momento certo de desviar o
olhar: ia dela para o irmão, para o teto, as janelas, o chão e de volta para
ela, discretamente. Até que graças ao
mundo, que mantém certas coisas sempre do mesmo jeito - que usamos de
referência para diagnosticar nossa própria sanidade ou lucidez -, todos ali de
pé, olhando para os trilhos à frente como se não tivessem outro lugar para
olhar, puderam ver a Luz no fim do túnel e foi um certo alívio imediato. Não vai
ter mais que lidar com aquela tensão de novo, pelo menos não pelo fim de
semana, o que já é um bom tempo para pensar no assunto. Enquanto isso, enquanto
o fim de semana não começa oficialmente, pensou naquilo que dizem de que quando
se dorme pensando em algo, é com isso que agente sonha. Boa noite.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
O dragão sutil
Quando o dragão sutil apareceu pela primeira vez, mordeu fora, sem que eu percebesse, um pedaço do menor dos artelhos do meu pé direito, e o lóbulo da minha orelha esquerda. Só fui notar na manhã seguinte, porque meu pé estava formigando e havia algumas manchas de sangue no meu travesseiro. Na segunda vez, mais ousado, me subtraiu um pedaço, ainda bastante pequeno, da barriga, e um naco do tendão atrás do meu joelho esquerdo.
Da terceira vez, eu percebi sua aproximação. Gritei para espantá-lo - parecia pequeno como uma lagartixa, apesar do formato lembrar mais o de uma minúscula cobra alada -, mas meu tamanho e minha voz não serviram para intimidá-lo. Levou, de uma mordida, a ponta do meu nariz, de que eu tanto gostava.
Por esta época, a maioria das pessoas da vila já estava, como eu, subtraída de uns bons pedaços de si. À mestra curandeira já lhe faltavam quase todos os dedos, a capitã da guarda tinha minúsculas cicatrizes, por todo o braço esquerdo e pelas duas pernas, e o relojoeiro não tinha mais um dos olhos, nem sua famosa cabeleira. Eu estava entre as poucas pessoas que tinha acordado durante um ataque do dragão sutil, porém, e nenhum de nós tivera qualquer sucesso com urros ou tochas para espantar o monstro.
Pedi à confraria dos artesãos que me conseguissem uma espada. Resistiram, a princípio. Fosse o "dragão" - dava pra ouvir as aspas em seus ombros - tão pequeno e sorrateiro quanto se relatava, qualquer martelo de cozinha me serviria para amassar-lhe a cabeça. Seria, porém, uma quebra da tradição muito grave matar um dragão com qualquer coisa que não fosse uma espada, redarguiu a chefe da guarda em meu apoio, e a espada foi arranjada. (Soube, mais tarde, que, mais forte que o argumento da capitã, retinia no coração do confrade-mor o temor de ter seus dedos engolidos durante o sono, o que lhe tiraria a profissão).
Quando, seguindo a tradição, tentei cortar fora a cabeça do dragão sutil, minha espada prendeu-se em seu pescoço e tornou-se, a meus olhos, menor que um alfinete. Percebi que o dragão não era pequeno, mas que estava, de alguma forma, distante. E por distante que estivesse, além de perder minha espada entre suas escamas, perdi naquele dia minha mão direita entre seus dentes.
A vila prosseguiu sua vida, e eu, como sempre acaba acontecendo. Aos poucos, todos se acostumaram a amanhecer sem um dos olhos, ou com pedaços da orelha faltando, ou com um rim a menos.
Uns e outros tentávamos nos proteger. Armávamos redes ao redor das camas e armadilhas pela casa. Mas eram quase todas inúteis. O dragão sutil se encolhia - ou se distanciava, nunca soube entender isso muito bem - o dragão sutil se encolhia conforme a necessidade para atravessar mesmo as grades mais apertadas.
Com o tempo, o dragão sutil se tornou uma figura de linguagem - uma forma de se referir ao fenômeno perfeitamente natural de acordar com partes do corpo a menos. Apenas crianças e nós, insistentes supersticiosos, cremos em um dragão que realmente vem durante a noite nos mastigar pedacinhos fora.
Da terceira vez, eu percebi sua aproximação. Gritei para espantá-lo - parecia pequeno como uma lagartixa, apesar do formato lembrar mais o de uma minúscula cobra alada -, mas meu tamanho e minha voz não serviram para intimidá-lo. Levou, de uma mordida, a ponta do meu nariz, de que eu tanto gostava.
Por esta época, a maioria das pessoas da vila já estava, como eu, subtraída de uns bons pedaços de si. À mestra curandeira já lhe faltavam quase todos os dedos, a capitã da guarda tinha minúsculas cicatrizes, por todo o braço esquerdo e pelas duas pernas, e o relojoeiro não tinha mais um dos olhos, nem sua famosa cabeleira. Eu estava entre as poucas pessoas que tinha acordado durante um ataque do dragão sutil, porém, e nenhum de nós tivera qualquer sucesso com urros ou tochas para espantar o monstro.
Pedi à confraria dos artesãos que me conseguissem uma espada. Resistiram, a princípio. Fosse o "dragão" - dava pra ouvir as aspas em seus ombros - tão pequeno e sorrateiro quanto se relatava, qualquer martelo de cozinha me serviria para amassar-lhe a cabeça. Seria, porém, uma quebra da tradição muito grave matar um dragão com qualquer coisa que não fosse uma espada, redarguiu a chefe da guarda em meu apoio, e a espada foi arranjada. (Soube, mais tarde, que, mais forte que o argumento da capitã, retinia no coração do confrade-mor o temor de ter seus dedos engolidos durante o sono, o que lhe tiraria a profissão).
Quando, seguindo a tradição, tentei cortar fora a cabeça do dragão sutil, minha espada prendeu-se em seu pescoço e tornou-se, a meus olhos, menor que um alfinete. Percebi que o dragão não era pequeno, mas que estava, de alguma forma, distante. E por distante que estivesse, além de perder minha espada entre suas escamas, perdi naquele dia minha mão direita entre seus dentes.
A vila prosseguiu sua vida, e eu, como sempre acaba acontecendo. Aos poucos, todos se acostumaram a amanhecer sem um dos olhos, ou com pedaços da orelha faltando, ou com um rim a menos.
Uns e outros tentávamos nos proteger. Armávamos redes ao redor das camas e armadilhas pela casa. Mas eram quase todas inúteis. O dragão sutil se encolhia - ou se distanciava, nunca soube entender isso muito bem - o dragão sutil se encolhia conforme a necessidade para atravessar mesmo as grades mais apertadas.
Com o tempo, o dragão sutil se tornou uma figura de linguagem - uma forma de se referir ao fenômeno perfeitamente natural de acordar com partes do corpo a menos. Apenas crianças e nós, insistentes supersticiosos, cremos em um dragão que realmente vem durante a noite nos mastigar pedacinhos fora.
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